Flávio Porto

Blog

De novo, a esperança fez brilhar!!!


A ressurreição de Jesus é um fato espetacular. Com todos os elementos que conheço dessa história e tantos outros que não, só posso cada vez mais ficar maravilhado com esse acontecimento.


Esse fascínio está dentro de uma visão cristã, é claro, mas com um elemento que “conversa” comigo, independentemente da profissão de fé: Nessa história a esperança é devolvida às pessoas.


Entre os relatos da ressurreição de Jesus, fico encantado com a história dos discípulos de Emaús. Aliás, facilmente consigo me colocar no caminho de Emaús. Dois discípulos caminhavam conversando sobre os recentes episódios daquele homem que algum tempo os encontrou, fixou neles o olhar e os chamou para segui-lo. Penso também que aquele assunto não estava só naquela estrada; Ele estava nas casas, esquinas, ruas... no coração de tantos e tantos que, em algum momento decidiram pelo seguimento a Cristo. Homens, mulheres, crianças, jovens, pessoas de todos os jeitos que encontravam em Jesus a sua maior esperança.


A facilidade em me inserir na conversa dos discípulos de Emaús... (não como Jesus, mas como um deles) está em: Quem nunca apostou todas as suas fichas em algo nessa vida? Eu, sim! E sei como é bom, o quanto a vida se enche de sentido, como as coisas parecem se encaixar perfeitamente. Mas, também, tem um lado terrível e bonito (se possível) nisso tudo: E quem também nunca se frustrou e errou apostando todas as suas fichas? Eu também, já!


Aquelas pessoas tristes no caminho, rosto de todos os outros seguidores de Jesus, estavam lamentando (permito-me pensar assim) sobre suas próprias vidas e o que fariam delas a partir de então. Eles eram os mesmos que, em menos de três anos, deixaram barcos na praia, profissões e cargos sociais, recobraram suas vidas na sociedade, por causa daquele homem, colocaram tudo na periferia da vida para ter somente um foco, um ponto fixo e nada mais restar: “A quem iríamos Senhor?”


E, há pouco tempo, essa forte ESPERANÇA havia dado o último brado e suspiro em uma cruz, pregado, todo ferido, sem reação alguma. Acabou! A esperança morreu!
Da mesma forma acontece com todo mundo, todos os dias. Comigo é assim. Aquele projeto que tanto quis, que mergulhei de cabeça, fracassou, morreu, quebrei a cara. 



É assim com todos: Pessoas que se encontram em um relacionamento amoroso, profissional, social, ou em planos de sua vida, metas e objetivos em diversos níveis, de repente tudo acaba e junto com tudo, a esperança vai embora.


Eu, todos que já passaram por isso e os discípulos de Emaús, sabemos como é doloroso ver partir de forma tão brusca a ESPERANÇA. Penso, aqui, na experiência da morte: Que sofrimento é esta partida àqueles que ficam. Platão, falando sobre a morte, diz que, quando choramos a perda de alguém, não estamos chorando só pelo falecido, propriamente dito, e, sim, pelo o que seremos nessa vida sem a presença daquele que parte. É do mesmo jeito com todas as outras coisas da vida.


Aquela conversa, talvez, dizia das possibilidades do difícil recomeço para os seguidores de Jesus: “E agora... Voltar a pescar... retomar os costumes antigos... cobrar impostos novamente... ir para a margem da sociedade...” E atualizando: “começar tudo de novo... procurar novo emprego... recomeçar o projeto... relacionar-me com outras pessoas... perdoar... começar do zero...”


É nesse instante que se encontra a beleza da história. O mestre de Nazaré pôs-se com eles no caminho e novamente seus corações voltam a arder. A princípio era somente o forasteiro que trazia encanto nas palavras e sabedoria. Para aquele momento ele tornou-se um grande consolo e uma boa companhia. Sempre haverá espaço para uma novidade em nossa vida. No desespero do “zero” que estavam os discípulos, aquela noite poderia ser menos doída, as palavras daquele homem poderiam confortar mais um pouco, ou, ao menos, pensariam um pouco menos no acontecido.


Mas a história não acaba aí. Ao partir o pão, os discípulos de Emaús reconhecem que o desconhecido homem, era o próprio Jesus, o mesmo que, há poucos dias presenciariam a dramática morte. A ESPERANÇA voltou. Agora era fato. Os boatos das mulheres eram verdadeiros. Que grande alegria, pois, os sonhos, projetos, renuncias não foram em vão. Apostaram todas as suas fichas e o fizeram bem. Jesus ressuscitou!


Os nossos sonhos frustrados são assim quando apenas enxergamos somente o presente imediato e não ampliamos a visão para abstrair algo mais além. As pessoas até tentam nos avisar “vai dar tudo certo... você vai conseguir... outra pessoa aparecerá em sua vida... você vai conseguir um emprego melhor...” Mas a dor e a incerteza é tão grande que nada disso nos ajuda. Um dia li em uma “orelha” de um livro algo parecido com “todo sofrimento é bom, pena que na hora não somos avisados”.


Assim, o interessante é que o recomeço da história dos discípulos de Emaús é a própria continuidade da mesma. A grande aposta feita em Jesus, continuaria sendo Jesus.
 

Isso não garante nada que minhas apostas que fiz e faço se parecem por um momento frustradas quando eu enxergar um recomeço (=continuidade) serão do mesmo jeito como sempre foi. Não! Não serão e nem devem ser assim. Até onde caminhei foi somente uma parte da história; Até o início do caminho de Emaús foi somente uma parte da história. Há muito ainda a descobrir e caminhar...


A história não acaba no calvário e se prolonga até os boatos da ressurreição. Ela não acaba com uma ou duas quedas, mesmo que sejam graves. Nem a morte é tão forte.
Em Emaús, o ápice é a ressurreição. Mais uma vez: A ESPERANÇA voltou. Em minha vida também.

Agora pouco fui questionado sobre o que era ter uma vida com sentido. Que pergunta difícil. Mas respondi que uma vida com sentido é aquela que sempre se cultiva a esperança...


Flávio Porto
Leia mais!

Negações

Não me convides
Não me convenças
Não contenha os meus passos,
Não coloque em mim amarras

Nunca te vi
Nunca te quis
Nunca me abraces
Nunca te esquecerei

Nada te escapa
Nada me dispensa de ti
Nada se afirma
Nada é tão certeiro

Nem que eu soubesse do depois do teu show
Nem se eu te aceitasse como meu maior projeto
Nem que eu me enganasse que não chegarias...
Nem assim...

Nada!
Nunca
Não. A sua palavra não será a última!
Leia mais!

!!! Perco a piada, mas não perco a postura

Um bom gozador sempre repete algo que virou o refrão da sua classe: “perco o amigo, mas não perco a piada”. E quem conhece alguém assim, que não sabe a hora de parar quando a chateação é tamanha, sabe que eles cumprem o que dizem.

Pois, bem!

Com a onda das redes sociais, os bons gozadores a cada minuto (não dá nem para falar a cada dia) se superam em criatividade, bom humor e diversidade de assuntos. Os “memes”, aqueles bonequinhos feinhos e engraçados surgem nas mais variadas situações.

Hoje fui provocado a responder a pergunta que o Facebook me faz com esse comentário. Ele me interpela: “No que você está pensando?!?” Posso mesmo dizer?!? Então, tá.

Fico bastante impressionado com as mensagens deixadas por alguns contatos meus que dividem mais do que o espaço virtual... Compartilham o espaço da fé.

Para ser mais direto: como tem gente postando, compartilhando, curtindo, comentando, “KKKKKKKKKizando” frases de duplo sentido, apoio à causas que vão contra o Evangelho e a Doutrina da Fé que professam, correntes com conteúdo duvidoso, piadas “fail” pelo seu alcance negativo, reflexões tão rasas e falaciosas, fatos que nem são tão #FATO assim... e tantas coisas mais... Tudo em nome de serem engraçados, populares e “curtidos” na rede social.

Destaco, ainda, os murais com aqueles recados de letras grandes, chamativas, que expressam taxativamente um ponto de vista a respeito de qualquer questão polêmica da sociedade. Lembro-me aqui do meu Professor de Moral Social que faz alguns acenos nas aulas de como católicos compartilham as maiores ofensas ao Evangelho da Vida ou a Dignidade da Pessoa, sem nunca imaginarem que estão o fazendo. O clique no botão curtir e/ou compartilhar é só uma denúncia de que ali tem alguém que não está por dentro do “que disse Jesus”.

Não desejo fazer o papel de moralista com esse comentário. Confesso até, que dou bastante risada das “bobeiras” que são postadas, mas aquelas que não comprometem a postura que escolhi para a minha vida. Isso é só uma introdução para arrematar: não dá pra dizer que sou cristão, se meus valores são trocados tão facilmente por uma piada. E se alguém acha que isso é radical, é para ser mesmo.

Assim, o “NO QUE VOCÊ ESTÁ PENSANDO AGORA?” e o “VOCÊ PODE FALAR O QUE QUISER” para nós cristãos devem vir acompanhados com a recomendação paulina: “Tudo me é permitido, mas nem tudo me convém” (I Cor 10,23).

Bom... Utilizei da liberdade da pergunta do FACEBOOK. Você pode comentar também e dizer o que pensa. Deixo, em síntese, a minha twittada sobre o assunto: Perco a piada, mas não perco a minha postura. Que isso seja #FATO e compartilhado. P.S. “Compartilhado” aqui, deve ser muito mais do que apertar o botão.
Leia mais!

!!! Desfazer as malas... Arrumar o guarda-roupas

Há 6 anos comecei um grande empreendimento em minha vida. Às 16 h, no dia 1 de março, o portão do Seminário Arquidiocesano Nossa Senhora das Vitórias se abria para acolher seis novos moradores. Ali se tornava a minha casa!

Despedidas; Chegadas; Acolhida; Cartazes; Sorrisos; Palavras de incentivo; Missa; Símbolos; Votos; Festa; Comida... Tantos foram os elementos que marcaram esse dia que, enquanto faço essa memória, posso quase ouvir e sentir esses momentos. Também nesse primeiro dia, a rotina futura e presente já se anunciavam ali.
Quando todos os visitantes para a festa foram embora, a mesa não estava tão mais colorida, as palavras já tinham cumprido sua tarefa, era a hora de arrumação... Desfazer as malas... arrumar o guarda-roupa. Ações bem concretas e, ao mesmo tempo, tão para além.

Ali começava a entender que eu devia armar minha tenda  naquela casa, absolutamente, sem reservas. Enquanto eu colocava as minhas camisas dobradas no guarda-roupa, recebi a visita do meu reitor que dava as últimas palavras de incentivo. Ele falava de aproveitar o tempo, de se esforçar para corresponder ao que for proposto, da felicidade e esperança de cada vocacionado. E eu, guardando roupas, guardando conselhos!

Continuo aquela arrumação há seis anos!

Esse “guarda-roupa” foi desarrumado várias vezes para se arrumar para conviver com irmãos diferentes; Foi desarrumado para viajar para longe, conhecer outra cidade, outro rosto da Igreja.

Vi outros “guarda-roupas” sendo desarrumados para partir e olhar para outro caminho e se ajeitar em outro canto. Muitos! E, mesmo que dizemos que nos acostumamos com as partidas, cada uma teve um significado, deixou uma saudade. Lembro-me  com carinho de Valdete, Danilson, Paulo Vitor, Ricardo que entraram comigo naquele portão, no mesmo horário, e que hoje caminham em outras estradas, sendo homens de bem.

Ministério de Leitorato - 2011 -

Vi outros acrescentando em seus guarda-roupas as vestes próprias do Sacerdócio... confirmaram a caminhada e hoje servem a Deus e ajudam na construção do Reino.

Vejo mais jovens chegando. E que o Senhor da Messe envie mais!

“Como posso retribuir ao Senhor Deus?” Renovando a cada dia o desejo de fidelidade. Sem hesitar, afirmo que muito ganhei de Deus, muito cresci e fui (sou) feliz. Agradeço muito à Igreja, minha casa. Tenho um pouco menos de dois anos para viver no Seminário... Esta postagem então vai continuar, assim como as arrumações e desarrumações. 

Lá no 1º dia, escolhíamos uma frase que nos acompanharia naquele ano. Até hoje não a abandonei. É a mesma! E a alegria de fazer memória neste dia, também faz-me pedir insistentemente a Deus: “ Completai em mim a obra começada”.

Reze por mim!
Rezemos pelas vocações na Igreja!
Leia mais!

!!! Roubar o pôr do sol

Há pequenas coisas que nos tocam e, de alguma forma, dão algum ensinamento...
O bonito e jovem casal sabia marcar a vida um do outro, nos gestos mais simples, nas manias mais inusitadas. Sabiam dessas coisas. Já conseguiam brigar e se reconciliar considerando os “acidentes” de existência que traziam. O previsível que ofereciam-se entre si tornava-se espetacular com as surpresas que conseguiam fazer, deixando sempre uma marca profunda em seus corações.

Em uma dessas, ele surpreendeu: “Quero que todas as vezes que você olhar o pôr do sol, lembre-se de mim!”.

Eles estavam no alto do monte, fim de tarde, suave música disputando a atenção com os passarinhos e cigarras. Lá em baixo, a cidadezinha começava a vestir seu pijama, ligava as luzes e desacelerava os passos.
A resposta: “Você, assim, roubou para si todos os meus ‘pores do sol’  que eu presenciar... Ainda que eu me esforce, sempre lembrarei desse dia”.

Sei que o relato traz uma grande dose de romantismo (óbvio), tornando-o quase uma pintura, mas o mesmo me fez pensar algo: Todos nós podemos marcar a vida do outro... Melhor ainda, positivamente e para sempre! Eles mesmos me ajudaram com esses e outros relatos a perceber essa possibilidade.
Porque não usar da gentileza, caridade, criatividade, sensibilidade para deixar a vida de quem está ao nosso redor, ou, talvez, àqueles que somente vão passar por nós, mais bonita, mais marcada, mais cheia de significado. Podemos surpreender aos que estão ao nosso redor, tirando da normalidade do cotidiano uma “nova tinta” para a pintura, chamada vida.

Só um comparativo... Pensemos como deixar marcas negativas se torna tão fácil?!? O próprio casal que incentiva esse comentário me fez enxergar isso com seus exemplos. E, de novo, “porque, não” utilizarmos de todos os esforços para fazer o bem. Quem sabe chega uma hora e esses esforços se tornam a coisa mais natural.

Imagino que todo mundo, por um dia, por um instante, já foi um “pouquinho de tinta guache” (é a que vem na cabeça agora) para alguém. E esse pouquinho de tinta sempre é tomado, recordado em todas as situações que remetem à sua passagem na vida dela. Foi “sacramentalizado”.
Sabe, dá vontade de ser lembrado por mais e mais gente...

Lembro-me de uma senhora que estava de cama há anos que visitei, no início de minha vida de seminário... Em diversos momentos da conversa ela chorava seu sofrimento. Aí, ela me segredou: para sofrer menos, sempre me lembro de alguma coisa que me faz rir, me dá lembrança gostosa. Ela também disse que, a partir de então, me colocaria em suas lembranças. Como aquele jovem roubou o pôr do sol, ela roubou também meu sorriso e uma lágrima de agradecimento a Deus.

Para fazermos o bem e marcar a vida das pessoas, entremos sem medo!

“Roubemos” o pôr do sol.

“Roubemos” o sorriso.

Tornemo-nos sinal!!!
Leia mais!

!!! Eu também fiz a minha montagem

No Facebook, divirto-me demais com a  onda de postagens do tipo "o que as pessoas pensam quando digo que sou...". Mostram um lado engraçado de ver as profissões e o jeito meio equivocado que as pessoas as entendem. Pensei: Porque não fazer uma montagem da minha vida seminarística... Muitas outras coisas poderiam ser colocadas... mas ficou mais ou menos assim...
Leia mais!

Maneira de dizer que sente falta

É Impressionante a proporção que tomou a frase “Menos a Luíza que está no Canadá” dita em um comercial. Enquanto escrevo esse comentário, Luíza é citada em milhares de posts, nos mais diversos e inusitados assuntos nas redes sociais e, acreditem, está ali no Jornal dando entrevista sobre a mesma.

A frase, absolutamente é desconexa dentro do objetivo do comercial. Acho que é por isso que se espalhou tanto. Ela me fez lembrar algo e pensar que temos diversas maneiras de dizer que sentimos falta de alguém.

Meu avô quis tirar uma fotografia de todos os seus netos. Isso há bastante tempo. Vale dizer que eu não era nascido e só sei disso porque a foto existe... Imaginem: é daquelas que olhamos dentro de um “binóculozinho” (por isso não dá para colocar aqui).

O velho Dió (jeito que era chamado meu avô Deoclides) estava lá com um monte de menino, espremido num espaço para caber todo mundo. Tudo normal, menos uma plaquinha em sua mão com os dizeres: “Só falta Fábio”.

Na época, tirar foto era um acontecimento... nada podia dar errado, ninguém poderia faltar. Fábio, não estava no Canadá, mas também não estava lá com meu avô e a maneira de dizer de sua falta foi aquela placa.

Dessa forma, pensei que a “antológica” frase poderia ser uma expressão de saudade, uma maneira de dizer que aquela família só era família com a presença de “Luíza”, “Fábio” e quem pudermos citar aqui. Temos os nossos jeitos de dizer da saudade.

Tá, pode ser demais da minha parte, mas foi o que consegui pensar. “Luiza” daqui a pouco sai de cena, outro “meme” vai começar circular e a vida continua. Fica a boa lembrança dos poucos momentos que lembro do meu avô. Ah, pode comentar, menos a... Não, não, não. Não vou fazer a piada mais uma vez.
Leia mais!

Queres aperfeiçoar?!?

Se permitirem a opinião de um aprendiz (estou falando de mim mesmo), de como fazer para aperfeiçoar algo, tenho uma sugestão. Antes dela, quero dizer que não “descobri o fogo”, ou seja, você pode ler e depois dizer “grande coisa”. É permitido!

Antes, ainda, quero dizer o porquê escolhi falar sobre isso na minha postagem semanal. Domingo, férias, agenda vazia, e a vasta programação televisiva me fez optar pelo fone de ouvido no último volume das músicas que gosto (e não me canso) de ouvir.

Enquanto ouvia cada canção, sentia uma imensa vontade de aprender as informações musicais que as mesmas continham, mas, muito, além disso, ficava impressionado com o que elas conseguiam transmitir. Em minha opinião, músicas lindas! Modelares!

E aqui está a minha simplória dica: Quer aperfeiçoar algo? Esteja conectado em quem oferece bons modelos. Aplicando o que estou dizendo... Não posso querer aprender a compor, a escrever, transmitir os meus pensamentos, se o que ouço e leio são conteúdos insuficientes em informação ou mera repetição do que já se tem por aí, de forma bem batida.

Perguntaram-me sobre isso em um encontro de canto litúrgico: “tenho vontade de compor para liturgia, mas tô sem idéia, sem inspiração. O que posso fazer?!?” Bom, como a pergunta foi confiada a mim e, aqui pra nós, ela também está dentro de mim, naquele momento respondi utilizando-me de uma outra pergunta: “O que você está ouvindo?!?”. O meu interlocutor entendeu a mensagem! E mais, reconheceu que o seu “menu musical” estava bastante aquém de quem pretende ir um pouco mais longe.

Vale dizer duas coisas: a primeira é que isso não é crítica a nada e a ninguém... Não estou atirando pedra em quem escuta determinados estilos musicais. De jeito nenhum! A segunda coisa é que essa “dica” que estou dando não é o máximo para melhorar.



Fica aqui a intenção de dizer que podemos servir da experiência de outros... Não se aplica a desvirtuada lei “nada se cria, tudo se copia”... Não, não! A partir de uma boa referência posso identificar as disposições interiores já existentes em mim. Algo de muito novo pode vir pra fora após o contato com o que o outro me oferece.

Para o músico, especificamente, não basta escutar o que é bom... É preciso muito mais ler o que é bom. Dizem que músicos ouvem mais músicas do que lêem livros. Por favor, dêem os créditos a quem disse isso (aqui não me lembro), que se tornou bastante esclarecedor pra mim. Os outros 2.985.654 passos para aperfeiçoar mais, podemos ir descobrindo pelo caminho.

Para quem quer falar de Deus, conteúdo já é muito bom... Mas, a EXPERIÊNCIA é imprescindível! Aqui peço licença para “eu falar para mim mesmo”: Se escolhi para minha vida anunciar a Cristo, tenho que buscar ainda mais e sempre ser íntimo dele. Caso contrário, como diz um amigo seminarista, vou repetir toda hora: “Jesus é Deus, Maria é mãe dos viventes... Louvado Seja Nosso Senhor Jesus Cristo”.



Falei de duas coisas que me tocam. E pra você?!? Em que queres aperfeiçoar?!?



Fica a dica aí...
Leia mais!

!!! "Coisas não ditas"

Nessas andanças seminarísticas, encontramos relatos fascinantes, às vezes tão inacreditáveis que só mesmo um bom escritor de novelas pode criar tais histórias. Que nada! A “Vida da Gente” (não a novela) é uma grande fonte onde podem ser encontrados os mais diversos roteiros... As que ouvi até hoje me serviram de lição.

Há alguns dias, conheci uma senhora de 78 anos. Eu estava junto com mais três irmãos fazendo visitas. Entramos em sua casa e ela deitada no sofá conversava conosco. As marcas do tempo e as limitações da saúde eram inegáveis. Além do pé inchado e dolorido, ela tinha algo mais a dizer. Contou-nos sua história que, em título de resumo, foi marcada por uma espera de mais de 40 anos pelo marido que saíra para trabalhar e, pouco depois da saída, não deu mais notícias.

Neste ano, em um dia comum, encontrando-a da mesma forma que nós, o senhor de 81 anos entrou naquela casa, sentou-se no mesmo sofá em que estávamos e dividiu um pequeno espaço de tempo com ela, quebrando o silêncio e a distância de quase meio século. Não conseguiram falar muito. Da parte dela, foi mostrado o filho, em um quadro na parede, que tinha a mesma idade do sumiço. Falou uma ou duas coisas mais, e pronto!

Porque ele sumiu? “Não sei. Nem quis saber porque”, ela me disse. E continou: “Só sei, meu filho que [...]”

E no espaço dessas reticências relatou inúmeras dificuldades vivenciadas durante esse tempo. Muitas delas, ainda presentes.

Fui ouvindo e entendendo que ali estava continuando a conversa guardada por todos esses anos. Também acredito que ela precisaria de muito tempo para falar tudo o que queria. Imaginei várias situações de sua vida e ela lá, ensaiando, falando sozinha, desabafando... esperando o momento de estar com o principal interlocutor. Mas, “o tempo foi passando, foi passando, foi passando”, como ela disse.

Pensei em como seria viver algo dessa forma. E, às vezes vivemos.

As “coisas não ditas” aqui, então, não são somente a falta de utilização sonora/verbal. Não. Tantas e tantas situações que vão sendo guardadas no coração e que tomam proporção grande, até ensaiamos, preparamos, mas, ficam ali por um bom tempo. Não são resolvidas.

O maior absurdo, talvez, não é o tempo (cronológico) da espera.

A história dela ilustra e aponta pistas para pensar no perdão, na atitude, também na humanidade que é capaz de esperar, mas também é de se ausentar. Particularmente, penso que às vezes vivo situações em que as circunstâncias são mais favoráveis de se resolver, mas, nem sempre é assim.

À nós, as últimas palavras dela, foi para dizer que eu poderia escrever esse texto, e para reconhecer que Deus a fortaleceu durante todos esses anos. Fortaleceu nas situações, mas também no peso das “coisas não ditas”. Imagino que tantos outros elementos existam nessa história (tem a versão dele, de outras pessoas, históricas periféricas a essa, etc.).  O que deu tempo e pra mim valeu muito foi o relato, testemunho e as inúmeras coisas que consegui pensar e que aqui nesse espaço ficarão como “não ditas”. Talvez você tenha as suas!
Leia mais!

!!! Todo mundo curte o mesmo SOM

Lugar interessante.

Todos viviam ao som de uma trilha sonora. A mesma trilha sonora. O tempo todo!

Os gêmeos do casal jovem, da casa amarela, eram embalados para dormir com aquela música...

Os clientes do mini mercado, ao lado, compravam, pagavam, cumprimentavam-se em uma cadência igual, ditada pela batida musical...

Também na novela das seis, especialmente ali, não se ouvia a voz de “Gadú” na abertura, mas, sim, a “bendita” trilha sonora...

Mesma coisa para Dona Zefa na sua reza da hora da “Ave Maria”. Gounoud, no seu radinho de pilha era só mais uma saudade...

As crianças na rua já tinham inovado: as brincadeiras aconteciam ao mesmo tempo em elas dançavam e faziam as coreografias...

Dona Lindaura tentou dizer algo uma vez ou outra. Não deu para escutá-la. Então ela resolveu continuar cuidando do seu sogro quase centenário que tinha problemas respiratórios, curtindo aquele som...

Mesma trilha sonora para todo mundo. Para o grupo da novena, para os passantes, para os novos vizinhos da segunda casa antes da esquina. Também para a família de Seu Nicanor, que hoje vai para o sétimo dia da filha mais velha.

Mesma trilha para Dona Ana, com seu aparelho de ouvido...

É... de vez em quando ela desliga. Não a trilha sonora, mas, sim, o aparelho.

Ela quem me explicou essa curiosa percepção: como todo mundo vivia com aquela trilha sonora... a mesma trilha sonora:

“É, filho. É assim mesmo! O vizinho daquela casa ali com muro sem reboque... ele adora arrocha e decidiu por todos nós que vamos curtir com ele o seu som”.

Lugar interessante!
Leia mais!

"O povo que andava nas trevas viu uma grande luz"


Na festa do Natal do Senhor, temos o bonito costume de fazer votos àqueles que mais amamos... Desejamos amor, paz, alegria, saúde, vida... entre tantos outros!!! Na oportunidade de desejar uma mensagem a quem acompanha o blog, quero desejar uma mensagem à todos UM NATAL DE ESPERANÇA!!!

Esta é a grande festa que nos ensina o sentido de esperar e, por isso, como o grande prêmio que temos dessa espera, o próprio Menino-Deus, tenhamos nossas expectativas renovadas nessa que é a maior: Deus está conosco!!!
Leia mais!

"Eu sou o Bom Pastor"

A forte afirmação de Jesus “Eu sou o Bom Pastor” tem um pano de fundo na história do povo de Israel, contida nas Sagradas escrituras e, por isso, possui forte significado no contexto em que ela foi proferida. Também ela é retomada no Novo Testamento, afirmando-a, como encontramos, por exemplo, em Hb 13, 20: “O Deus da paz, que tirou da morte o grande pastor do rebanho, o Senhor nosso Jesus [...]”, e também em Pd 5, 4: “Quando se revelar o Pastor supremo [...]”.

O discurso de Jesus é similar ao que se encontra em Ez 34, que apresenta a imagem dos Pastores em Israel. Deus “se mostra indignado” com o tratamento dado às suas ovelhas, percebendo-as dispersas, sem cuidado.
Leia mais!

Conhece-te a ti mesmo!

As palavras proferidas no Oráculo de Delfos não só transformariam (e isso já é muito, em se tratando de quem) a vida de um cidadão ateniense. Elas se tornariam o chão do pensamento de Sócrates, um dos maiores filósofos, se não o maior, da humanidade. Mais que isso, o “conhece-te a ti mesmo” ainda ecoa nos ouvidos e corações daqueles que nunca as ouviram. Essa máxima é o anseio mais íntimo, e, talvez, o mais oculto de cada um.

Se eu pudesse comparar esse terrível convite do conhecer e do Ser, com a música, ele estaria no exato instante em que a canção já não é só canção, é vida. Seria o dado momento em que, sem muitas explicações, os olhos manifestam com lágrimas o que os ouvidos recebem e prontamente remete ao coração, que também não se contém e a todos os sentidos movimentam para, enfim, a voz arremata tão simploriamente: Esta é a canção de minha vida.
Leia mais!

!!! Experiências em "144 Caracteres"


Nas revistas, uma das coisas que mais gosto é a sessão de frases. Elas são colocadas quase de forma desconexa, somente com uma pequena legenda ou no máximo a foto de quem disse. Confesso uma coisa: Penso que seria bem legal se um dia uma frase minha pudesse estar ali.

Enquanto esse dia não chega (e tenho quase certeza que não vai chegar), utilizo-me das novas redes sociais e a característica em que mais elas me encantam. Posso falar de experiências, sentimentos, disposições, projetos... em poucos caracteres. E mais, também consigo chegar perto daqueles que me são mais caros, os meus amigos, e saber um pouquinho do que se passa no coração de cada um.

Fico atento àqueles que, mais do que “compartilhar”, PARTILHAM de suas experiências... Mais do que oferecer aspas, distribuem “exclamações”. E assim tento fazer! Brincando com as palavras, vou deixando-me um pouco virtualmente para quem quer me ouvir.

Bom... “Comemorando” a marca de 1000 amigos (não é só quantidade), resolvi retomar alguns momentos meus, expressados nos “144 caracteres de cada dia”.
Leia mais!

Lugar


De onde enxergo esse dia, vejo-o em tons cinza, com cara de fotografia antiga, de lugar que não mais existe, com trilha sonora nostálgica e a leveza dos detalhes que debocham da incapacidade de quem pretende apreendê-los.

As árvores se falam. Os bancos calados. Estão vazios e ruminam o vazio de quem por eles passou...
...
As grandes construções, com cômodos cheios de matéria-prima: Potência pura de novos arranha-céus.

E eu daqui! Meu olho se cruza com um onde. Não é percepção.

É lugar.
Leia mais!

Sem porquê!

Soletrei pausadamente.
Repeti várias vezes, com diversas entonações.
Gritei. Sussurrei.
Silabicamente, insisti.
Fiz associações.
Forcei conexões.
Coloquei sob trilhas sonoras.
Preenchi dezenas de acrósticos.
Morfologia e sintaxe não ajudaram.
Calei-me e busquei entendimento na abstração.
Em tudo isso, nenhum sentimento. Nenhuma causa abraçada.
Todas as tentativas foram vãs.
Entendi, então, que algumas palavras têm vocação de serem somente palavras...
Ou talvez, no máximo, são enfeites para discursos que não passam de discursos.
Leia mais!